Meu pé de Ipê Amarelo

 

O que faz um vencedor não é apenas o talento natural de uma pessoa. Já ouvi alguns atletas dizerem que a vitória é feita de 10% de inspiração e de 90% de transpiração. O que quer dizer que o talento sem trabalho não é nada, pois com dez por cento de alguma coisa você não chega a lugar algum. Portanto, as vitórias, em qualquer área da vida, são feitas de muito esforço, dedicação, insistência, perseverança e persistência.

Quando viajo para o interior do estado do Rio de Janeiro, na época do inverno, me deparo com um cenário natural revestido de um paradoxo intrigante: ao mesmo tempo que vejo a paisagem deslumbrante das montanhas e vales, característicos da região, também fico desolado com a vegetação excessivamente seca, dando a impressão, muitas vezes que estou no sertão da caatinga nordestina, por onde passei por duas vezes na minha vida, mas fui eternamente marcado por aquela contemplação. Uma coisa, no entanto saltam aos meus olhos e, aos olhos de qualquer pessoa que passe por lá: a exuberância e a imponência do Ipê amarelo. Uma simples e escarpada árvore, de estatura média, longa e com uma copa humilde, com pouca extensão. Mas quando o Ipê amarelo resolve florescer, e faz isso no período de julho e setembro, fase final do inverno e, período mais seco da estação, impõe-se como um galã da estação fria e sombria. Espalha-se pelos acidentes naturais da região como se nada o fosse deter, nem o frio, nem a seca, nem o fogo… Sua cor de um amarelo ímpar nessas paragens o faz ofuscar todas as outras belezas da região. E, como que… num triunfo final de uma batalha campal, ergue-se o Ipê amarelo como o guerreiro triunfante que venceu sem nem mesmo sujar a armadura que jamais pretendeu camuflar.

Assim como tudo tem sua função a existência do Ipê amarelo, com certeza, também a tem. Apesar de sua aparência soberba e narcísica as flores do Ipê amarelo servem de alimento para as abelhas e beija-flores que discretamente se achegam à sua beleza ímpar o sorvem o seu néctar precioso. Outros animais também se aproveitam do imponente, mas generoso grandalhão e, levam pelo caminho por onde passam o pólen que mesmo sem o saber já o fertilizaram nas suas andanças.

Penso no Ipê Amarelo como uma inspiração para nossa vida, pois é nos momentos mais difíceis, de seca, de aridez que precisamos florescer. Enquanto todas as outras plantas cedem à baixa umidade do inverno o Ipê amarelo se levanta como que para dizer: “não desistam, falta pouco para sentirmos as chuvas da primavera e as torrentes do verão chegarem, portanto venham! fiquem comigo e chegaremos lá!”. Quê inspiração nos dá esse tal Ipê Amarelo!

Pois é, meus amigos. Muitas vezes o inverno chega a nossa vida assim, sorrateiramente, trazendo aquela temperatura amena que nos alivia do intenso calor veraneio. Porém traz a cessação das águas, aridez da terra a falta de alimentos… É assim que nos sentimos quanto enfrentamos lutas e problemas que, parecem que não vão acabar nunca. Às vezes se manifestam como uma perda de uma pessoa querida, ou como uma frustração nos negócios, no fim de um relacionamento de anos, ou quem sabe, até mesmo por uma tristeza profunda, sem razão aparente. São essas coisas, que muitas vezes chegam assim, de repente e, nos sacodem, nos derrubam, nos lançam no deserto, num terreno de sequidão e solidão.

Mas a lição do Ipê amarelo nos mostra que tudo isso pode ser superado e, com bastante luta e disposição, podemos florescer, mesmo em um meio em que tudo pareça contrário. Qual é o segredo do Ipê amarelo? Será que há nele algo diferente das outras árvores? Acredito que nem tanto, mas destaco as suas raízes profundas que buscam água nos veios profundos do lençol freático. Mas, as outras árvores também têm e, nem por isso se comparam. O outro fator é que o Ipê decide florescer, mesmo quando todas as outras árvores descartam as suas folhas e as suas flores. Dessa forma, nós também devemos decidir florescer mesmo nos momentos difíceis. Se você decide ser um derrotado, o será. Se se entrega às mazelas que a vida nos reserva então perderá. Todavia se você decidir que a aridez da vida não o derrotará e, fincar as suas raízes mais fundo nos seus valores e, naquilo que você tem de mais importante, então será como Ipê amarelo que mesmo na sequidão se mostra como um vencedor.

Existem outros Ipês: o vermelho, o roxo, o rosa, o branco… Talvez muitos outros que nem vemos, mas nenhum como o Ipê amarelo. Desse eu sou fã e, vou me espelhar sempre nele: o meu preferido, o meu inspirador, o meu sempre presente, imponente, imperador absoluta do cerrado e das serras. Obrigado por sua existência, meu querido pé de Ipê amarelo.

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