ERRATA! UMA AUTOANÁLISE DO ERRO

Um dos meus, cerca de menos de dez (desculpem-me o exagero!), leitores, ao ler o texto “Amizade, amizade, onde lhe deixei?”, me fez um elogio e uma correção. É claro que o elogio nos massageia o ego, mas a correção nos faz refletir o quanto incapacitado somos, ou, pelo menos, o quanto não somos tão inteligente quanto cremos. Agradeci imensamente ao caro leitor que sugeriu-me voltar ao texto e corrigi-lo, enquanto alguns poucos o leram. Aceitei a sugestão, entretanto estive pensando que, tão somente corrigir aquele texto, não é uma tarefa que dignifica os meus prezados leitores, nem condiz com o nome desse blog. Se o nosso foco é o discurso, então, até mesmo os erros que ele apresenta precisam ser discutidos. Concorda? Pois então vamos ao que gerou o tema desse texto.

A palavra sinalizada foi “expetacular”, que  o meu leitor me lembrou que se escreve com “s” e, deveria então, ser escrita da seguinte forma: espetacular. Corretíssimo o meu caro leitor. É isso mesmo: segundo o Dicionário Prático da Língua Portuguesa – Aurélio, espetacular se escreve com “s”. Então, por que decidi escrevê-la com “x”? Passemos à algumas possibilidades, tendo em vista que o ato de escrever é uma construção realizada a partir da linguagem, que é o código de símbolos que usamos para nos expressar (essa sim se escreve com “x”, pois tive o cuidado de pesquisar no vocabulário, é claro). Pois então, se a linguagem é o material da es(x)crita, a língua, no sentido de idioma, é a ferramenta do es(x)critor. Sendo assim, nos comunicamos por meio da linguagem, mas, a esculpimos, por meio da língua. Por isso o domínio dela é uma habilidade laboral de quem deseja ter o discurso como foco. Vejamos:

1 – Posso ter escolhido o “x” porque este, no teclado do computador, fica logo abaixo do “s” e, numa digitação rápida posso ter levado o meu dedo um pouco mais abaixo o que provocou um erro de digitação;

2 – Posso ter escolhido o “x” porque a palavra que antecede àquela em questão se escrevia com x: experiência. Assim, numa ação automática o cérebro escolheu sem pensar, numa sequência de repetição autômata;

3 – Posso ter escolhido o x porque na língua grega, que vez por outra uso para fins de exegese e eisegese dos textos bíblicos, o “Εκ” ou “εξ” é uma preposição para exprimir algo que é expulso de dentro para fora numa dinâmica muito excêntrica. Diferente do “es” ou “ειξ” que significa uma dinâmica oposta, algo que se movimenta de fora para dentro, como na eisegese, que também uso no estudo de textos bíblicos;

4 – Posso não ter escolhido o “x”, mas ele se meteu ali, de forma petulante, sem pedir licença, sem dar explicações, como um símbolo de algum conteúdo recalcado em meu insondável inconsciente;

5 – Posso não ter escolhido o “x” conscientemente, mas de uma forma manifesta um ato falho o fez se inserir naquela palavra, expressando uma necessidade de colocar à vista uma angústia, uma dor, ou quem sabe, um “grito” de socorro, de um conteúdo aflitivo assombroso do recôndito do meu inconsciente;

6 – Posso ter escolhido o “x” por se tratar de uma letra mais forte, mais expressiva para o significado do pensamento que tinha, no momento da elaboração associativa, a respeito da qualificação daquela “experiência”;

7 – Posso não ter escolhido o “x”, mas ele me escolheu e tornou-se o agente daquela manifestação expressiva do id inconsciente, decidindo quebrar uma regra gramatical para satisfação semântica de um desejo recalcado, mas ativamente conflitivo;

8 – Posso ter escolhido o “x” por causa de algum mecanismo de defesa que, no momento da elaboração, associou o “s” a alguma ameaça real ao ego, talvez uma expressão usada recentemente por alguém que representa um grande perigo ou seja autor de um estelionato de proporções avassaladoras, tipo “espetáculo do crescimento” ou “crescimento espetacular” ou quaisquer outras locuções da mesma extirpe;

9 – Posso ter escolhido o “x” talvez porque o meu superego tenha associado o “s” a alguma outra palavra proibida ou que componha a galeria de proibições por ele elaborada desde há muito tempo, tais como esperma, espermatozoide, sensual, etc.

10 – Ou posso ter escolhido o “x” simplesmente porque errei mesmo e, só me resta me desculpar pelo meu erro, por minha ignorância de não saber que espetacular se escreve com “s”, por minha falta de atenção por não ver o grifo de vermelho que os editores de textos sempre fazem em palavras gramaticalmente erradas,  por minha preguiça em ler atentamente o texto que escrevi para corrigi-lo. Apesar de ser essa a hipótese menos provável, é totalmente possível. Portanto: Minhas desculpas.

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