Precisamos de heróis

César Tácio V. da Silva

Ainda estamos absortos com a notícia do acidente aéreo que vitimou Sua Excelência Ministro do STF, Teori Zavascki. O fato foi de grande repercussão no nosso país e no mundo por dois fatores: primeiramente por que foi um trágico acidente que levou à morte um membro da Suprema Corte do país, um dos Três Poderes da República Federativa do Brasil: depois porque era o ministro relator dos processos da Operação Lava Jato, considerado o maior caso de corrupção de todos os tempos. Assim sendo, paira uma dúvida que não quer calar: Foi, realmente, um acidente, ou, estamos diante de um atentado?

Não vou me ater aqui ao fato noticiado nem à pessoa do ministro Teori. O que me leva a escrever, é uma declaração do juiz federal Sérgio Moro, escrita em rede social, usando vários adjetivos para o ministro. Mas, houve um, que me fez refletir profundamente: “morre um herói”. Essa expressão me motiva a conversar com o prezado leitor e questionar: Quem são os nossos heróis? e, como são os nossos heróis? e, por que precisamos de heróis?

Desde minha infância lembro-me de que heróis são suscitados em nossa sociedade. Vem-me à memória Pelé, o atleta do século, que é brasileiro e negro, um representante perfeito para o país do futebol; lembro-me também dos meus pais falando de Getúlio Vargas, “o maior presidente que o Brasil já teve”; e… como poderia me esquecer do nosso libertador que, em cima do seu fiel cavalo (qualquer semelhança com Silver não é mera coincidência), às margens do rio Ipiranga bradou retumbante a célere frase “independência ou morte!” e, em seguida retornou para as regalias do país que nos oprimia, e deixou seu filho, ainda garoto, como príncipe regente do mais novo império do mundo, sob a custódio do mordomo leal (ou seria real?).

Recentemente, antes de Teori se tornar herói, estávamos ainda homenageando os nossos heróis da Chape, o time de futebol da Chapecoense que fora vitimado, quase dizimado, também em um acidente aéreo, cujo anti-herói, o negligente piloto e proprietário da companhia aérea responsável pelo avião,  já foi execrado.

O moderno poeta e cantor, Cazuza, disse que os seus “heróis morreram de overdose”, transparecendo aquele gosto de frustração quando vemos nossos heróis, principalmente do esporte e da música, envolvendo-se com práticas espúrias, senão criminosas, ao menos, suspeitas. E o simples fato real de que os heróis erram e frustram seus súditos nos dão o choque de realidade de que heróis são simplesmente a tipologia do perfeito para a qual elegemos o arquétipo da vez, seja um medalista de ouro dos Jogos Olímpicos, um juiz que põe na cadeia os inimigos da erário ou, um ministro do STF, que estava prestes ou não (quem sabe?) a homologar o maior acordo de delação já proposto no Brasil.

Verdadeiramente, precisamos de heróis. Sejam eles homens, mulheres, negros, pobres, políticos, atletas… Precisamos de indivíduos que nos representem, que sejam nossa voz, nossa vontade, nossa força. Pode a morte ceifá-los, podem as falhas manchá-los, pode o tempo esquecê-los… Precisamos de heróis.

Mas, vejam. Os heróis, são os representantes do nosso eu objetal. Se vencem, somos nós que vencemos. Se triunfam, somos nós que triunfamos. Se nos frustram é porque nos projetamos neles na esperança de que sejamos melhores neles. Nós nos amamos porque queremos ser objetos desse amor próprio. Dirigimos a eles nossa força libidinal porque deles recebemos a força da esperança na expectativa narcisista de sermos os melhores dos melhores. Nada mais narcísico, egoísta e soberbo do que eleger heróis. Pois, o que são heróis se não os melhores dos melhores.

Sim! Precisamos de heróis?…

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Um comentário sobre “Precisamos de heróis

  1. Concordo com a síntese do texto. Nossos heróis refletem nossos maiores desejos e esperanças. E não posso deixar de dizer que, meu grande Herói é Jesus, o Cristo, pois entrego a Ele todo o meu amor e ponho Nele a minha confiança.

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